Júlio Pomar, um dos maiores nomes da pintura moderna Portuguesa

A passada terça-feira foi marcada por uma grande perna nacional: Júlio Pomar, o multifacetado artista plástico português faleceu aos 92 anos.

“A refeição do menino”


Almada Negreiros foi a primeira pessoa a comprar-lhe um quadro, Os Saltimbancos, quando Júlio Pomar tinha apenas 16 anos e expunha num atelier na Praça das Flores. O pintor passou pela Escola António Arroio e pela Faculdade de Belas-Artes, mas afirmava que Velázquez lhe ensinara mais do que qualquer professor que tivera.
Desde cedo um opositor ao regime salazarista, o artista era membro da comissão central do Movimento de Unidade Democrática (MUD) Juvenil, estando preso em Caxias durante quatro meses quando tinha 20 anos. Um dos seus parceiros de cela era Mário Soares, com quem criou uma amizade para a vida. Desenhara o retrato do amigo enquanto jovem, na prisão, e viria a fazê-lo muito mais tarde, no início da década de 90, criando o retrato presidencial de Mário Soares que hoje figura em Belém, e que na época causou grande polémica por contrastar com a habitual seriedade e formalismo com que os restantes presidentes portugueses foram pintados. Soares ria-se.

Além da pintura deixou desenho, gravura, escultura, tapeçaria ou trabalhos de cenografia. Trabalhou quase até ao fim da sua vida”, diz ao Diário de Notícias Sara Antónia Matos, diretora e curadora do Atelier-Museu Júlio Pomar.

“Foi um pintor do movimento, da dinâmica, procurava a gestualidade, as suas figuras saltavam da tela como que para o espaço do espectador. Penso que todo o percurso dele foi no sentido do movimento: foi para olhar para a frente e não para trás. Acho que o nosso dever será sempre de olhar para a frente, e não para trás, sempre no sentido de perceber o que é que a obra dele semeou na história da arte.”

Obras como O Ganhadeiro (1946) e O Almoço do Trolha (1946-50) são tanto símbolos maiores do neorrealismo português e da juventude de Pomar como do protesto social que encerravam em si. Abandonado o neorrealismo, seguem-se obras como Maria da Fonte (1957) e séries onde o movimento é um dos traços predominantes, como Tauromaquias (1960-64) ou Les Courses (1964-66), que representava corridas de cavalos e que Pomar expôs em Paris, cidade para onde partiu em 1963, aos 37 anos. Vieram depois trabalhos que experimentavam novas linguagens – entre elas a assemblage – como Rugby, Maio 68 ou Le Bain Turc, d’après Ingres (1971), que foi mostrado no Museu do Louvre numa exposição dedicada ao mestre francês Ingres.

“Le bain turc )d’après Ingres)”


 
 
Fonte: Diário de Notícias 

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