O mundo da arte estará a adaptar-se ao blockchain?

Os principais especialistas em arte, tecnologia e economia propuseram uma série de respostas na inauguração do Art + Tech Summit na leiloeira Christie’s em Londres.


O primeiro ponto a ser abordado no Art-Tech Summit da Christie’s – “O mundo da arte está pronto para o consenso?” – reconheceu que o blockchain terá, mais cedo ou mais tarde, um impacto relevante no mundo da arte.
Com isso em mente, vale a pena reiterar exatamente o que é esta tecnologia. O Blockchain é um registo digital descentralizado que permite aos usuários armazenar informações de maneira segura e permanente. Os dados são armazenados em blocos criptográficos que formam uma cadeia imutável e com registo de data e hora. Isto é verificável e impossível de alterar e, consequentemente, confiável, seguro e rastreável. A tecnologia é amplamente conhecida por moedas como o Bitcoin, mas, do ponto de vista da arte, o mesmo registo pode capturar informações como proveniência, histórico de vendas, etc.

Apenas cinco por cento dos investimentos na indústria de blockchain estão atualmente focados no mercado de arte. Anne Bracegirdle, especialista em fotografia da Christie’s e entusiasta defensora do blockchain, destacou as oportunidades e desafios que esta tecnologia apresenta:

“É emocionante presenciarmos e podermos trabalhar no nascimento desta tecnologia, à medida que podemos moldar o seu futuro e também os nossos padrões. Para integrá-la nos nossos negócios, devemos ser capazes de ver como será esse futuro e de como podemos colaborar”.

Uma das inúmeras aplicações do blockchain é para a arte digital. Pode criar um ecossistema autónomo que é descentralizado e democrático, ajudando com a proveniência de obras, pagamentos e direitos autorais embutidos.

A tecnologia Blockchain também terá uma influência sobre como o mundo da arte conduz os seus negócios. Jess Houlgrave, do Codex Protocol, que está a construir um registo de origem, transações, direitos autorais e propriedade, expressou os benefícios das informações que estão com os proprietários de obras, em vez de instituições. “Há dois equívocos”, argumentou.

“Primeiramente, o blockchain é um disruptor em vez de um ativador. A ideia de um banco de dados centralizado é interessante, mas o que é mais interessante é a ideia de um banco de dados descentralizado”.

“Remover a opacidade do mercado e estabelecer dados claros e imutáveis revolucionaria o negócio”, de acordo com Nanne Dekking, presidente da TEFAF Art Fair e fundadora da Artory, que está a estabelecer um registo digital seguro de informações verificadas. “Há muitas pessoas que poderiam comprar arte e simplesmente não o fazem”, observou. “Não confiam nos dados e não entendem a cadeia de vendas”.

As conclusões tiradas de uma série de discussões são fascinantes e complexas. A tecnologia do blockchain é poderosa e certamente terá implicações para o mundo da arte. A Christie’s, ao organizar esta cimeira, reconheceu isso.
O painel final, que foi presidido por Georgina Adam do Financial Times e The Art Newspaper, contou com Richard Entrup, Global Chief Information Officer da Christie’s, que explicou como a empresa está “a tentar ser disruptiva e arriscar. Temos de explorar estas tecnologias. O Blockchain será mundialmente difundido e utilizado, mas precisa tornar-se transparente primeiro”.
Vários oradores enfatizaram como o blockchain se tornará tão amplamente usado que deixará de ser um ponto de discussão ou contenção. Há questões a serem solucionadas em relação à privacidade, segurança, infraestrutura e concorrência, entre outras. Da mesma forma, as oportunidades para criar um sistema descentralizado, seguro e confiável são vastas.

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