BIGtheme.net http://bigtheme.net/ecommerce/opencart OpenCart Templates

Na cama com Marilyn Monroe

O fotógrafo Douglas Kirkland recorda a noite em que “fez magia” com o ícone cinematográfico – e a câmara que captou todos os momentos.

No próximo dia 29 de outubro, na Christie’s em Nova York, a Hasselblad de 1959 (nº 36980) com que Kirkland costumava tirar aquelas fotos de Marilyn Monroe (tal como muitas outras) – em conjunto com duas partes de revistas, duas lentes Carl Zeiss e duas de edição limitada – serão leiloadas na The Exceptional Sale. Mas, primeiro, vamos retroceder quase 60 anos para contar a história da noite que a câmara capturou.

Numa noite escura de novembro de 1961, o fotógrafo canadense Douglas Kirkland, 27 anos, esperou nervosamente por Marilyn Monroe no estúdio de Hollywood que alugara para a sessão fotográfica agendada. O fotógrafo, que fez a sua carreira ao fotografar estrelas de Hollywood como Elizabeth Taylor e Marlene Dietrich, foi contratado para capturar uma imagem “escaldante” da estrela de cinema para a edição de 25 anos da revista Look.

Em 1961, Monroe estava no auge de seu estrelato. A atriz tinha uma série de sucessos de bilheteira em Hollywood, incluindo Some Like It Hot, Gentleman Prefer Blondes, Bus Stop, The Seven Year Itch e The Misfits, mas os seus casamentos com Joe DiMaggio e Arthur Miller tinham falhado. Com 35 anos, tinha regressado recentemente à Califórnia depois de seis anos ausente.

Kirkland tinha-se mudado para Nova York aos vinte e poucos anos para assumir o cargo de assistente de Irving Penn antes de ser contratado como fotógrafo da Look. Estava na revista há apenas 18 meses quando recebeu um dos desafios mais emocionantes da sua carreira.

A noite em que Marilyn Monroe e Douglas Kirkland passaram juntos foi íntima, com uma forte carga sexual e ‘extraordinária’, como recorda, e a química entre eles originou algumas das fotografias mais famosas e sensuais de um dos maiores ícones do século XX.

As filmagens ajudaram a cimentar a reputação de Kirkland e o artista continuou uma longa e ilustre carreira no fotojornalismo, estrelas de cinema como Julie Christie, Brigitte Bardot e Audrey Hepburn. Tragicamente, dentro de um ano Marilyn Monroe estaria morta.

Poucos dias antes da sessão, em novembro de 1961, Douglas Kirkland e dois dos seus colegas encontraram-se com Marilyn Monroe e o seu agente no apartamento da estrela em Beverly Hills. “A ainha maior dificuldade como fotógrafo muito jovem”, lembra Kirkland, agora com 85 anos, “era explicar a Marilyn exatamente como a queria fotografar.”

Contudo, não precisava de se preocupar. Monroe assumiu o comando, mostrando ao fotógrafo que tudo o que necessitavam para fazer magia juntos era uma cama, um lençol de seda branca, alguns discos de Frank Sinatra e muito champanhe Dom Pérignon. “Ela entendeu as minhas ideias e concretizou-as muito melhor do que eu era capaz”, diz Kirkland.

“Aprendi uma lição importante com Monroe: se pretendemos a melhor performance possível, temos de tratar a modelo como a princesa que queremos mostrar através da nossa lente.”

Na noite da filmagem, Marilyn estava atrasada. Duas horas atrasada. “Ela aparece sempre “, tranquilizou a assessora de imprensa de Marilyn, enquanto o fotógrafo passeava ansiosamente e fixava o olhar na sua câmara Hasselblad.

Por fim, a estrela fez a sua entrada no que Kirkland descreve como uma ‘explosão de beleza etérea’. Ele serviu prontamente o champanhe gelado, escolheu um disco de Sinatra e colocou a agulha no vinil.

O primeiro cenário contou com Marilyn de vestido, mas a atriz claramente não estava à vontade. Voltando ao provador, tirou a roupa antes de deslizar sem aviso para a cama desfeita, envolvendo-se sedutoramente no lençol de seda branco.

As fotografias de Kirkland daquela noite memorável estão entre as últimas imagens profissionais de Marilyn. “O que resultou daquela envolvência poderosa que tivemos naquela noite foram as fotos”, confirma ele. “Toda essa energia foi canalizada diretamente para a lente. É isso que vejo e recordo quando olho para as fotos. ”

Check Also

Universo Christie’s: Como Balenciaga se inspira nos Old Masters

Jonquil O’Reilly, especialista em Old Masters da Christie’s e o curador Eloy Martínez de la ...